12 de novembro de 2009

Moção de Apoio a FAG - Federação Anarquista Gaúcha

No dia 29 de outubro de 2009, ocorreu mais um ato de afronta aos Movimentos Sociais brasileiros. A Polícia Civil do Rio Grande do Sul, a mando da governadora Yeda Crusius (PSDB), invadiu a sede da FAG (Federação Anarquista Gaúcha), apreendendo documentos e equipamentos, além de abrir processos criminais por injúria, calúnia e difamação. A justificativa de tal ato foi a produção de materiais pela FAG, nos quais a governadora é responsabilizada junto à Brigada Militar (Polícia Militar Estadual) pelo assassinato do integrante do MST, Eltom Brum da Silva bem como reivindicando a saída da governadora e denunciando as medidas políticas de cunho neoliberal do Banco Mundial. Foi procurado também identificar o responsável pelo site www.vermelhoenegro.org, expressando uma ameaça à liberdade de expressão.

Nós do Grupo de Estudos, Políticas e Ações Feministas (GEPAF) viemos através desta manifestar nossa solidariedade à FAG, repudiando as atitudes da governadora do estado do Rio Grande do Sul, representante de todo o aparato governamental.Acreditamos que não podemos nos calar frente à atitudes criminosas desta natureza que ferem direitos democráticos básicos, afirmando que essa luta também é nossa.

Com esta carta queremos pesar as justas reivindicações de fim aos processos judiciais e a devolução de todos os bens apreendidos da FAG como a garantia das liberdades democráticas que foram violadas pelo Estado.

Não tá morto quem peleia!

6 de novembro de 2009

A turba da Uniban, Contardo Calligaris

As turbas têm um ponto em comum: detestam a ideia de que a mulher tenha desejo próprio


NA SEMANA passada, em São Bernardo, uma estudante de primeiro ano do curso noturno de turismo da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo) foi para a faculdade pronta para encontrar seu namorado depois das aulas: estava de minivestido rosa, saltos altos, maquiagem -uniforme de balada.

O resultado foi que 700 alunos da Uniban saíram das salas de aula e se aglomeraram numa turba: xingaram, tocaram, fotografaram e filmaram a moça. Com seus celulares ligados na mão, como tochas levantadas, eles pareciam uma ralé do século 16 querendo tocar fogo numa perigosa bruxa.

A história acabou com a jovem estudante trancada na sala de sua turma, com a multidão pressionando, por porta e janelas, pedindo explicitamente que ela fosse entregue para ser estuprada. Alguns colegas, funcionários e professores conseguiram proteger a moça até a chegada da PM, que a tirou da escola sob escolta, mas não pôde evitar que sua saída fosse acompanhada pelo coro dos boçais escandindo: "Pu-ta, pu-ta, pu-ta".

Entre esses boçais, houve aqueles que explicaram o acontecido como um "justo" protesto contra a "inadequação" da roupa da colega. Difícil levá-los a sério, visto que uma boa metade deles saiu das salas de aula com seu chapéu cravado na cabeça.

Então, o que aconteceu? Para responder, demos uma volta pelos estádios de futebol ou pelas salas de estar das famílias na hora da transmissão de um jogo. Pois bem, nos estádios ou nas salas, todos (maiores ou menores) vocalizam sua opinião dos jogadores e da torcida do time adversário (assim como do árbitro, claro, sempre "vendido") de duas maneiras fundamentais: "veados" e "filhos da puta".

Esses insultos são invariavelmente escolhidos por serem, na opinião de ambas as torcidas, os que mais podem ferir os adversários. E o método da escolha é simples: a gente sempre acha que o pior insulto é o que mais nos ofenderia. Ou seja, "veados" e "filhos da puta" são os insultos que todos lançam porque são os que ninguém quer ouvir.

Cuidado: "veado", nesse caso, não significa genericamente homossexual. Tanto assim que os ditos "veados", por exemplo, são encorajados vivamente a pegar no sexo de quem os insulta ou a ficar de quatro para que possam ser "usados" por seus ofensores. "Veado", nesse insulto, está mais para "bichinha", "mulherzinha" ou, simplesmente, "mulher".

Quanto a "filho da puta", é óbvio que ninguém acredita que todas as mães da torcida adversa sejam profissionais do sexo. "Puta", nesse caso (assim como no coro da Uniban), significa mulher licenciosa, mulher que poderia (pasme!) gostar de sexo.

Os membros das torcidas e os 700 da Uniban descobrem assim um terreno comum: é o ódio do feminino -não das mulheres como gênero, mas do feminino, ou seja, da ideia de que as mulheres tenham ou possam ter um desejo próprio.

O estupro é, para essas turbas, o grande remédio: punitivo e corretivo. Como assim? Simples: uma mulher se aventura a desejar? Ela tem a impudência de "querer"? Pois vamos lhe lembrar que sexo, para ela, deve permanecer um sofrimento imposto, uma violência sofrida -nunca uma iniciativa ou um prazer.

A violência e o desprezo aplicados coletivamente pelo grupo só servem para esconder a insuficiência de cada um, se ele tivesse que responder ao desejo e às expectativas de uma parceira, em vez de lhe impor uma transa forçada.

Espero que o Ministério Público persiga os membros da turba da Uniban que incitaram ao estupro. Espero que a jovem estudante encontre um advogado que a ajude a exigir da própria Uniban (incapaz de garantir a segurança de seus alunos) todos os danos morais aos quais ela tem direito. E espero que, com isso, a Uniban se interrogue com urgência sobre como agir contra a ignorância e a vulnerabilidade aos piores efeitos grupais de 700 de seus estudantes. Uma sugestão, só para começar: que tal uma sessão de "Zorba, o Grego", com redação obrigatória no fim?

Agora, devo umas desculpas a todas as mulheres que militam ou militaram no feminismo. Ainda recentemente, pensei (e disse, numa entrevista) que, ao meu ver, o feminismo tinha chegado ao fim de sua tarefa histórica. Em particular, eu acreditava que, depois de 40 anos de luta feminista, ao menos um objetivo tivesse sido atingido: o reconhecimento pelos homens de que as mulheres (também) desejam. Pois é, os fatos provam que eu estava errado.


CONTARDO CALLIGARIS
Folha de S. Paulo - Ilustrada - 5/11

29 de outubro de 2009

Sessão de 31/10 Lisístrata


Lisístrata

Esparta e Atenas estão em uma guerra sem fim, mas Lisístrata, uma bela mulher, tem uma idéia de parar a luta e convence todas as mulheres: nada de sexo até que haja paz. No início as coisas vão bem, mas logo, desesperados e a beira de um colapso os homens sucumbem a alternativa de fazer sexo apenas entre eles.
O quê Lisístrata tem a dizer sobre o tempo presente? Indagação a ser pensada a partir do filme do espanhol Francesco Belmont, releitura de uma das peças teatrais escrita por Aristófones, pensador da antiguidade grega, uma comédia que estimula a reflexão sobre o exercício da sexualidade no mundo contemporâneo. Valendo-se de personagens irônicos e caricatos, a trama problematiza as relações de poder envolvidas em nossas escolhas e invenções cotidianas. Um filme para pensarmos a constituição do ser mulher, homem, gay, lésbica ou quem sabe todos e todas ao mesmo tempo.
A partir da centralidade da mulher como mediadora de conflitos, o filme suscita muito mais uma análise sobre o empoderamento feminino contemporâneo do que propriamente uma digressão sobre o papel da mulher na Grécia clássica. O quê a Antiguidade tem a dizer sobre o tempo presente? E o que o presente tem a dizer sobre si mesmo?


Direção: Francesco Belmont
Roteiro: Francesco Belmont e Ralf König
Espanha/2002
Comédia

23 de outubro de 2009

Sessão 24/10 - O céu de Suely



O Céu de Suely
Dirigido por Karim Aïnouz, “O céu de Suely” recria a atmosfera de descaso econômico, social e emocional vivido pelas retirantes brasileiras, representando a saga de incontáveis mulheres. Hermila volta à sua terra natal, Iguatu, no Ceará, da qual migrara para São Paulo com o namorado em busca de uma vida melhor. Neste regresso vem acompanhada por seu filho pequeno e permanece à espera do marido que não demora em abandoná-la, ausentando-se da responsabilidade com o filho. Desesperada, é então que ela nomeia-se Suely e parte em busca do seu céu. O caminho? Uma rifa de seu próprio corpo com a finalidade de comprar a passagem para qualquer “lugar longe” daquele ambiente hostil para, enfim, recomeçar sua vida.
Discutiremos, através deste contexto, a falta de perspectiva dessas mulheres, enclausuradas pelo fator econômico, encontrando em seu corpo uma única fonte de renda, cercada por homens que incentivam e condenam a prostituição. Mesmo que a personagem possa contar exclusivamente com sua própria obstinação, Hermila/Suely simboliza um das questões mais complexas e centrais das discussões do GEPAF, que é o empoderamento da mulher, e sua transformação em senhora de seu próprio corpo e sua vida. Resta-nos saber, no entanto: há algum céu para Suely?

O Céu de Suely
Direção: Karim Aïnouz
Roteiro: Maurício Zacharias, Felipe Bragança e Karim Aïnouz
Música: Berna Ceppas e Kamal Kassin
Fotografia: Walter Carvalho
Gênero: Drama
BRA/2006

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17 de outubro de 2009

Sessão 17/10 + Sessão 18/10


 Sábado 17/10 - 19h





Gritos e Sussurros

Em uma casa de campo uma mulher enferma recebe cuidados de suas duas irmãs e da empregada da família. Neste contexto um misto de amor, lembranças, frustrações e imaginações passeiam pela casa atingindo singularmente cada uma das personagens, assombradas pelos fantasmas de suas histórias.
Os quatro personagens de Bergman em Gritos e Sussurros, serão o alvo das observações neste sábado. Os confinamentos físico e psíquico representados na repressão da mulher e no desejo de evasão. A subserviência das irmãs, Karin e Maria, nas relações familiares sob a afirmação do machismo de seus maridos. Agnes que sofre sufocada e almeja um devir perfeito ao ar livre, conduzido por um breve instante pela empregada da família, Ana, que transfere seu amor maternal depois da perda de sua filha para os cuidados à Agnes. Gritos e Sussurros traz a tríade do enclausuramento no patriarcado: Religião, Matrimônio e a Medicina como as instituições moralizantes e representadas na figura masculina. Pensando nestes confinamentos, quais relações de poder ainda entremeiam o cotidiano das mulheres? Quais subjetividades do patriarcado existem sem mesmo a presença do masculino? Quais são nossas clausuras?

Gritos e Sussurros (Viskningar Och Rop)
Direção: Ingmar Bergman
Fotografia:Sven Nykvist
SUE/1972
Drama

Elenco:
Harriet Andersson (Agnes)
Kari Sylwan (Anna)
Ingrid Thulin (Karin)
Liv Ullmann (Maria)
Erland Josephson (David)



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Domingo 18/10 - 18h



Amanhã vai Ser Maior + Saída de Emergência
Tumulto. Repressão. Violência. Direitos. As passeatas e a luta do Movimento Passe Livre de Florianópolis em 2005 nas manifestações contra o aumento da tarifa de transporte público. Produzido pelos integrantes do movimento, o documentário traz a visão de quem estava do lado de dentro das manifestações, que a grande mídia "não viu".
Qual a saída? Essa é uma das perguntas do docuemntário da sequência. Saída de Emergência, do Joinvilense Leonel Camasão, discute a questão do transporte coletivo de Joinville sob uma nova perspectiva. Baseado no depoimento de Lucio Gregori, ex-secretário de transportes de São Paulo, o filme mostra caminhos para resolver um dos problemas vitais de qualquer cidade. Congestionamento. Mortes. Poluição. Tarifa de ônibus nas alturas. Protestos. Monopólio. Direito de ir e vir. Como resolver tantos problemas de uma cidade?

Amanhã Vai Ser Maior (2005)
Realizado por:
Alex Antunes
Fernando Evangelista
Juliana Kroeger
Vinicius (Moscão)

Saída de Emergência (2008)
Leonel Camasão

15 de outubro de 2009

Este Mês: Ideias; Câmeras; Ação!

Para este mês o Clube de Cinema quer mais e se prepara para ir além do cinema. Com a participação de dois grupos de ações populares o CdC promete um mês de debates mais profundos e de efeito. A partir do próximo fim de semana teremos exibições aos sábados e domingos.
Os sábados serão reservados ao Grupo de Estudos, Políticas e Ações Feminista, o GEPAF. Com o olhar voltado para o papel da mulher na sociedade, o espaço feminino no cinema e a violência de gênero, o ciclo trará três filmes que iniciarão os debates para o entendimento das diferenças de gênero e a violência contra a mulher e compartilhará informações das ações do grupo e discutirá as divergências em relação as questões latentes na cidade.
Os próximos domingos alimentarão o mês de luta do Movimento Passe Livre. Outubro é o mês que marca as lutas pela democratização do transporte público pelo país afora e, para engrossar o coro para o Dia Nacional de Luta pelo Passe Livre (26/10), em parceria com o MPL Joinville, o CdC exibirá três documentários de produção do próprio movimento no país e na America Latina. Mobilidade urbana, gratuidade, cidades sem catracas, serão temas abordados e discutidos nos debates dominicais.
Este será um mês ativo em Joinville e o CdC não pretende ficar de fora. Várias atividades de cunho social e democrático serão realizadas na cidade e o ciclo de outubro pretende ser mais uma. Ideias; Câmeras; Ação! corre paralelo às iniciativas do MPL desenvolvidas durante todo o mês; prolonga os debates da Primeira Conferência Municipal de Comunicação de Joinville, que acontece nos dias 16 e 17/10 e acompanha a Semana Acadêmica de Comunicação Social Ielusc, que acontecerá de 21 à 24/10. Ação!
Para mais informações acesse:

GEPAFeminista
Movimento Passe Livre
Conferência Municipal de Comunicação
Semana Acadêmica de Comunicação Social Ielusc


Programação - Gepaf (sábados)




17/10 - Gritos e Sussurros (Ingmar Bergman) SUE 1972
24/10 - O Céu de Suely (Karim Aïnouz) BRA 2006
31/10 - Lisístrata (Francesc Bellmunt) ESP 2002


Programação - MPL (domingos)




18/10
Amanhã vai ser maior (MPL Florianópolis) 2005 
Saída de Emergência (Leonel Camasão) Joinville 2008 

25/10
La Rebelion Pinguina (Omar Neri) Chile/2006