17 de janeiro de 2011

Hospital Pérola Byington: crianças e adolescentes são maioria nos atendimentos de agressão sexual


Confiança no serviço de saúde de referência e maior divulgação sobre violência sexual contra crianças e adolescentes na imprensa têm encorajado muitas pessoas a denunciar os casos de abuso sexual infantojuvenil e a procurar atendimento médico e psicológico. Esta é a avaliação de Sandra Regina Garrido, diretora técnica do Serviço Social do Hospital Pérola Byington, em São Paulo. Embora o local seja popularmente conhecido por tratar da saúde da mulher, nos últimos dois anos, 75% do total de atendimentos foram para crianças e adolescentes – sendo cerca de 15% para meninos.

Deste total, vem crescendo o número de crianças vítimas de abuso menores de doze anos. Em 2008, elas representavam 47% dos casos de agressão sexual; em 2009, o número subiu para 51% e, só no primeiro semestre deste ano, já são 54% dos atendimentos. “Estes dados não significam que tem aumentado o número de abusos em São Paulo, mas sim que as pessoas estão tendo mais acesso a informações e tomando coragem para buscar ajuda, o que não acontecia antes quando tudo era velado”, afirma Sandra Garrido.

Segundo Sandra Garrido é um grande passo conseguir denunciar e romper a barreira do silêncio, porque geralmente o agressor faz ameaças contra a criança ou a compra com balas, doces ou outros atrativos. “Há pessoas que só têm coragem de enfrentar o problema, depois que veem o ciclo se repetindo, com outra criança da família sendo abusada”, conta a assistente social.

Na opinião da especialista, depois de 20 anos da criação do Estatuto da Criança e do Adolescente, alguns avanços ocorreram, como a melhoria de algumas políticas públicas, mas ainda há muito a fazer para evitar o problema. Ela sugere que uma das maneiras de trabalhar pela prevenção seria mobilizando grandes campanhas dentro das escolas, informando e orientando alunos e familiares. Por estarem em contato direto com as crianças e adolescentes, os educadores têm um importante papel no enfrentamento do abuso sexual infantojuvenil.

Documentário sobre o orgasmo discute os mitos do prazer feminino



A edição de vídeos eróticos para um laboratório farmacêutico foi o ponto de partida da jornalista Liz Canner, que durante o trabalho começou a questionar como a indústria dos medicamentos trata o prazer feminino. A fábrica estava envolvida na produção do primeiro Viagra para mulheres, e Liz começou a acreditar que os médicos estavam inventando uma doença para vender remédios.

Assim nasceu o documentário Orgasm Inc., sobre os bastidores das campanhas de marketing da indústria farmacêutica e a forma como as mulheres lidam com o próprio prazer.

– Estava cansada de falar sobre pobreza, assassinatos e crises econômicas. Queria algo que me desse prazer. E o que é melhor do que investigar as formas de aumentar o meu próprio prazer e também ajudar mulheres em todo mundo? – disse Liz à rede de notícias ABC.

No documentário, a jornalista investiga de onde vêm os bilhões de dólares gasto anualmente pelas farmacêuticas para criar soluções que tratem as disfunções sexuais femininas. Também discute até que ponto a falta de desejo é realmente um problema.

– Não queria fazer uma denúncia, mas percebi que as revistas, os jornais e a equipe de marketing dos grandes laboratórios estão criando uma cultura na qual as mulheres estão sempre insatisfeitas com sua sexualidade, achando que precisam fazer mais sexo e ter mais orgasmos o tempo todo.

Uma das histórias que mais chamam a atenção no filme é a de Charletta, uma mulher de meia-idade que concorda em colocar eletrodos em sua coluna para aumentar a frequência dos orgasmos.

Para Liz, os obstáculos do prazer não costumam ser hormonais, mas sim psicológicos, e é por isso que é tão difícil criar um remédio que aumente o prazer feminino.

– Durante a pesquisa, percebi que a libido das mulheres cai por causa do excesso de trabalho, relacionamentos ruins, falta de informação e abusos sexuais. Quem tem autoridade para dizer o que é um orgasmo normal?

14 de janeiro de 2011

Contra o aumento: resistência!

A Frente de Luta pelo Transporte fará um novo ATO contra o aumento. Mas dessa vez será diferente, a manifestação acontecerá junto com o funcionamento da cidade, ou seja, em plena manhã. É preciso mostrar a insatisfação, fazer-se ouvir. E é por isso que a Frente convoca a todos para o Ato de Quarta (19), na frente da Prefeitura de Joinville.

Além do Ato, veja toda a programação de atividades da Frente e compareça. Aqui No Zarcão.

Venha 'mudar o transporte, fazer a cidade'.

O GEPAF apoia e divulga os atos da Frente de Luta pelo Transporte.

13 de janeiro de 2011

Projeto prevê punições a policiais que não adotarem medidas para proteger mulher vítima de violência

Por Elina Rodrigues Pozzebom / Agência do Senado

A autoridade policial que não adotar as medidas necessárias quando receber denúncia de violência contra a mulher poderá sofrer punições. É o que determina projeto (PLS 14/2010) da ex-senadora e atual governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini (DEM), que continuará a tramitar no Senado durante a 54ª Legislatura, a iniciar-se em fevereiro de 2011.

O texto, que altera a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06), estabelece pena de detenção de seis meses a dois anos para a autoridade policial que não tomar as medidas necessárias quando tiver conhecimento de prática de violência doméstica e familiar contra a mulher ou mesmo quando apenas souber de risco à sua integridade.

Segundo a autora, há casos em que a autoridade policial não observa as providências legais que devem ser executadas para proteger a mulher em iminência de sofrer ou que já tenha sofrido violência doméstica.

Entre as medidas já estabelecidas pela lei, que devem ser adotadas pelos policiais, estão a garantia da proteção e a comunicação de imediato ao Ministério Público e ao Poder Judiciário; o encaminhamento da vítima ao hospital e ao Instituto Médico Legal; e o fornecimento de transporte para a mulher e seus dependentes até local seguro. O policial também deve, de imediato, lavrar o boletim de ocorrência após ouvir a mulher e colher todas as provas, remetendo-os, em até 48 horas, ao juiz, com pedido para a concessão de medidas de proteção de urgência.

A matéria aguarda análise da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), onde receberá Decisão TerminativaÉ aquela tomada por uma comissão, com valor de uma decisão do Senado. Quando tramita terminativamente, o projeto não vai a Plenário: dependendo do tipo de matéria e do resultado da votação, ele é enviado diretamente à Câmara dos Deputados, encaminhado à sanção, promulgado ou arquivado. Ele somente será votado pelo Plenário do Senado se recurso com esse objetivo, assinado por pelo menos nove senadores, for apresentado à Mesa. Após a votação do parecer da comissão, o prazo para a interposição de recurso para a apreciação da matéria no Plenário do Senado é de cinco dias úteis..

Cirurgia reparadora

Outro projeto que altera a Lei Maria da Penha e continuará tramitando na próxima legislatura é o PLS 139/10, apresentado pelo senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS), que acrescenta inciso para garantir o direito da mulher vítima de violência doméstica à cirurgia plástica reparadora. A proposta também estabelece prioridade de atendimento no âmbito da rede de serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). O PLS 139/10 deverá ser analisado pelas comissões de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e de Assuntos Sociais (CAS), nesta em caráter terminativo.

O texto é quase idêntico ao do projeto de lei da Câmara (PLC 112/09), do deputado Neilton Mulim (PR-RJ), que obriga o SUS a pagar por cirurgias plásticas de reparação em mulheres que tenham sequelas de violência doméstica. Pelo texto, que tramita em caráter terminativo na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado (CDH), os hospitais e os centros de saúde deverão informar às vítimas de violência sobre o direito à reparação gratuita.

11 de janeiro de 2011

Nova ministra dos Direitos Humanos defende os direitos LGBT em discurso de posse

Em 07/01/2010


A ministra Maria do Rosário (PT-RS), da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), recebeu na ultima segunda-feira (3) o cargo do ministro Paulo Vannuchi, em cerimônia realizada na sede da SDH, em Brasília.

A nova ministra elogiou o trabalho de seu antecessor pelo "excelente trabalho realizado". Em sua fala a ministra traz a preocupação com a população vulnerável, citando o psicanalista Carl Jung, prometeu não descansar para assegurar os direitos desse grupo.

Declara, ainda, que em seu mandato irá lutar pela aplicação do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH III), que destaca as questões da criminalização da homofobia, união civil e adoção para LGBT.
Maria do Rosário assegura em seu discurso que irá trabalhar por um Brasil "livre do preconceito e das discriminações". A ministra ressalta a importância da luta contra a intolerância: "Não descansaremos diante da intolerância, base para os crimes de ódio praticados contra os homossexuais. É uma responsabilidade nossa integrarmos ações para a promoção dos direitos da população LGBT com a garantia da igualdade dos direitos civis de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais em relação a toda a sociedade", declarou Maria do Rosário.

Para ler o discurso da ministra na integra clique aqui.

Vamos acompanhar...

Homem é preso por estupro em ônibus em SC

Em tempos em que o fim da violência contra mulher é campanha constante na internet, os crimes continuam a figurar nas machetes jornalísticas. A seguir, matéria que saiu no último dia 7, no jornal A Notícia.

Homem é preso por estupro após ter molestado passageira em ônibus na BR-116
Segundo a polícia, ele tocou as partes íntimas da mulher enquanto ela dormia


Um homem de 32 anos foi preso por ter praticado o crime de estupro dentro de um ônibus na madrugada de quarta-feira (05), por volta de 4h40min, em Ponte Alta, na Serra catarinense. Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), ele teria molestado uma passageira durante uma viagem entre Curitibanos e Lages na BR-116.

Procurada pela reportagem do Diário Catarinense, a empresa explicou que a mulher viajava de ônibus com o namorado. Mais tarde, ele se levantou e foi sentar em uma outra poltrona vaga no para que eles tivessem mais espaço para descansar. Quando a passageira dormiu, outra pessoa teria tentado se passar pelo namorado dela.

De acordo com informações da Polícia Civil, o homem teria acariciado partes íntimas da mulher enquanto ela dormia. No momento em que ela percebeu o que estava acontecendo, falou com o motorista do ônibus, que parou imediatamente no posto policial.

O homem acabou preso e levado para a Central de Polícia Civil de Lages. Segundo a empresa, funcionários acompanharam o caso.

Nova lei do estupro

A nova lei do estupro, aprovada em 2009, define o crime hediondo como: "constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso".
A pena prevista varia de seis a 30 anos de reclusão.

10 de janeiro de 2011

Mulher negra brasileira

Por Walkyria Chagas da Silva Santos*
Para o Portal Racismo Ambiental

Ser mulher e ser negra no Brasil significa está inserida num ciclo de marginalização e discriminação social.
Isso é resultado de todo um contexto histórico, que precisa ser analisado na busca de soluções para antigos estigmas e dogmas.
A abolição da escravatura sem planejamento e a sociedade de base patriarcal e machista, resulta na situação atual, em que as mulheres afro-descendentes são alvo de duplo preconceito, o racial e o de gênero.
Ascender socialmente é algo muito difícil para a mulher negra, são muitos obstáculos a serem superados. O período escravocrata deixou como herança o pensamento popular, em que, elas só servem para trabalhar como domésticas ou exibindo seus corpos.
As que se destacam, tiveram que provar mais vezes do que as mulheres brancas a sua competência, por isso, é que é possível afirmar que a questão de gênero é um complicador, mas se esta for somada a questão de raça, o resultado é maior exclusão e dificuldades.
Analisando dados de pesquisas realizadas pelo DIEESE e outros órgãos, é possível verificar que o preconceito resulta em salários mais baixos para os negros em relação aos brancos, incluindo o item gênero, inferi-se que o homem negro ocupa um patamar abaixo do da mulher branca quanto ao rendimento salarial. Mas as mulheres negras se encontram ainda mais abaixo na pirâmide ocupacional.
No que diz respeito a escolaridade, pesquisa realizada em 2006, revela que entre as mulheres negras com 15 anos ou mais, a taxa de analfabetismo é duas vezes maior que entre as brancas, no que tange ao trabalho doméstico infantil, 75% das trabalhadoras são meninas negras.
Devido à extrema pobreza, as meninas ingressam muito cedo no mercado de trabalho, sendo exploradas pela sociedade, que sabendo da sua condição financeira, oprime e humilha. Como é possível verificar, para as mulheres afro-descentes o mercado reserva as posições menos qualificadas, os piores salários, a informalidade e o desrespeito.
Apesar dos avanços alcançados pelas mulheres no mercado de trabalho, ocupando posições importantes a nível profissional, este avanço é muito reduzido quando se observa o universo negro. Há poucas mulheres negras trabalhando como executivas, médicas, enfermeiras, juízas, dentre outras profissões de destaque; o que se verifica ainda é a grande maioria realizando trabalhos domésticos e recebendo baixos salários.
Mesmo as que possuem diploma universitário, sofrem as discriminações do mercado. Muitas não conseguem exercer a profissão que se dedicaram na universidade e sem opção continuam exercendo as mesmas profissões de outrora.
Quando o item analisado é a saúde, verifica-se a continuidade da desigualdade. O percentual de mulheres negras que não possuem acesso ao exame ginecológico é 10% superior ao número de mulheres brancas; pesquisa de 2004 revela que 44,5% das mulheres negras não tiveram acesso o exame clínico de mamas, contra 27% das mulheres brancas; entre 2000 e 2004, a infecção por HIV/AIDS subiu de 36% para 42,4% entre as mulheres negras, enquanto na população feminina branca, a incidência de casos diminuiu, no mesmo período.
Vale salientar, ainda, que as mulheres negras possuem menor acesso a anestesia durante o parto e a esterilização cirúrgica; apresentam menor expectativa de vida se comparada as mulheres brancas; e, 58% dos óbitos de jovens negras por causas externas referem-se a assassinatos.
Além da violação ao direito a um trabalho digno, a ascensão social, a educação e saúde, as mulheres negras são as mais vulneráveis quando o assunto é violência, isso porque, desde a época da escravidão a mulher negra é vista como objeto sexual, povoando as fantasias dos homens.
A mulher negra então é aquela que não possui vida psicológica, afetiva e intelectual. Enquanto a mulher branca era ”guardada e vigiada”, a mulher negra era submetida ao abuso sexual, ao estupro e a humilhações. No período escravocrata estuprar uma negra não era crime, e sim um sinal de virilidade do homem branco.
A mulher negra, por diversas vezes têm se mostrado a mantenedora da família, não só no contexto atual, em que sozinha criam e educam seus filhos, como também no passado. Isso por que, após a abolição e a imigração européia, não havia mercado de trabalho para o homem negro, coube a mulher negra o sustento da família, trabalhando nas casas dos ex-senhores ou vendendo quitutes.
Além de criarem seus filhos, abriram casas de candomblé, criaram seus filhos-de-santo e mantiveram vivos os laços comunitários originários da África. As fundações das casas de Axé foram imprescindíveis para a preservação da cosmovisão africana, da identidade e da cultura negra, da religiosidade que perpassa por todas as esferas da vida do povo africano. Foram estas casas que preservaram a tradição do culto aos orixás, bacuros, inquices e voduns, e as línguas africanas.
Enquanto na visão do colonizador a mulher possuía uma posição inferior, na cosmovisão africana as mulheres tinham e têm lugar de destaque, nas religiões de matriz africana elas são guardiãs dos segredos, zeladoras do povo de santo, e um dos atores responsáveis pela perpetuação da cultura e da reconstrução da identidade negra no país.
Uma questão importantíssima a ser analisada com relação ao vagaroso progresso da efetivação dos direitos das mulheres negras, é quanto a representatividade política destas. Não há um contingente significativo de mulheres negras no parlamento, isso resulta muitas vezes na falta de criação e concretização políticas públicas voltadas para esta parcela da população.
As políticas implantadas são em sua maioria de cunho genérico, e num universo de desigualdades social, racial e de gênero é necessário a realização de políticas públicas específicas para as mulheres negras, posto que, são as mais vulneráveis em casos de ocorrência de violação de direitos humanos.
A mulher negra precisa ser valorizada não só pelos deliciosos quitutes, pelo seu molejo contagiante, pelo corpo sensual, mas principalmente pelas suas qualidades como ser humano, pelos seus dotes intelectuais. O mundo tem mostrado que é tempo de mudança, os Estados Unidos da América elegeu um presidente negro, os avanços raciais estão ocorrendo.
A melhoria da posição social do negro e especificamente da mulher negra é resultado de um esforço gigantesco. Homens e mulheres afro-descendentes têm lutado para levar dignidade ao povo negro, resgatar a sua identidade e auxiliar na busca da ascensão social.
O movimento negro brasileiro, algumas autoridades engajadas e outras pressionadas pela sociedade têm lutado para que o negro tenha o lugar que sempre mereceu, que o negro seja tratado com dignidade. Nesta luta surgiram os movimentos feministas, na busca pela implementação de leis que garantam os direitos básicos das mulheres negras.
É preciso lembrar que algumas contra toda adversidade conseguiram chegar à universidade, alcançaram um lugar de destaque na sociedade, mas as barreiras continuam. Não é possível haver satisfação enquanto outras continuam nos guetos passando fome, sofrendo as humilhações desta sociedade desigual e opressora.
O povo negro brasileiro está se organizando, as mulheres negras precisam “tomar” o poder, comandar seu destino, lutar, se organizar, transformar. Há de chegar o dia, em que vê uma negra recebendo diploma na área de medicina, advocacia, odontologia, não causará mais espanto, porque teremos alcançado a tão almejada igualdade.
As mulheres negras, necessitam reencontrar a sua identidade, valorizar sua história e suas raízes, se assumir enquanto afro-descendentes e agentes ativos desse processo de democratização racial.

*Pós-graduanda em Direito do Estado pela Fundação Faculdade de Direito da Bahia - UFBA